
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Com vocês...Minha Sogra!!!!!
Tive problemas com as sombras...Errei nas cores. Deve ter algum jeito de fazê-las mais natural. Com certeza tem. Em compensação acertei pela primeira vez nos olhos, digo, no brilho dos olhos. A maior parte dele está sem pintar e, no entanto, dá para perceber que são castanhos escuros. Para ver com mais detalhes basta clicar em cima da foto.No desenho que havia feito aí embaixo (segundo desenho com cores), eu tentei fazer isso e fiquei estrábica, acabei desistindo de colocar muito brilho embora ninguém tenha reclamado disso.
Desenhar a sogra, ao contrário do que soa para muitos, foi um grande prazer.
Este será o meu presente de aniversário para ela.
Desenhar a sogra, ao contrário do que soa para muitos, foi um grande prazer.
Este será o meu presente de aniversário para ela.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Segundo Desenho com Cores
Esse me deu infinitamente mais trabalho e ainda não sei o por quê. Tive menos pressa. Talvez seja isso. O primeiro eu estava muito ansiosa para ver o resultado final e levei um dia fazendo. Esse foram três dias. Tomei mais cuidado com as plantas que ainda ficaram esquisitas mas bem melhores que as do primeiro. Levei uma surra com o macacão do Yuki. O próximo que eu fizer vai ser com todo mundo pelado e muito bem penteado com uma parede branca de fundo...
:-)
Se quiserem ver com mais detalhes basta clicar em cima do desenho.
Bom, agora sabe Deus quando vem o terceiro.
Tenho muito que filosofar... meu orientador vai surtar com essa minha cabeça tão descontraída. Tenho muito o que conversar com o Heidegger. Precisamos nos entender até novembro.
A culpa foi da gripe suína que estendeu essas férias.
Beijo em todos
LK
Bom, agora sabe Deus quando vem o terceiro.
Tenho muito que filosofar... meu orientador vai surtar com essa minha cabeça tão descontraída. Tenho muito o que conversar com o Heidegger. Precisamos nos entender até novembro.
A culpa foi da gripe suína que estendeu essas férias.
Beijo em todos
LK
domingo, 2 de agosto de 2009
Primeiro Desenho com Cores

Fiquei toda enrolada brincando disso. Usei uma caixa de lápis de cor aquarelável. Nunca havia mexido com pincel.
O tamanho original do desenho é 42x59 cm.
Não sabia como fazer determinadas cores... as árvores no fundo parecem que foram feitas pelo Yuki...Quase fiz um desmatamento depois pintando o fundo de preto. Mas como foi o primeiro resolvi me perdoar e tomei coragem para mostrar.
Bom...minha mãe gostou.
Beijo em todos e obrigada pela visita!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
A Volta de Eliseu
Para Hideo, meu filho adolescente que atualmente só fala em sair de casa e que vive me alertando que não será o “meu filhinho” para todo o sempre. Até parece...
Rio Claro, 10 de Julho de 2009.Cara Conceição,
Há quanto tempo não nos falamos! Como está, minha amiga? Geraldo está bem?
Estou te escrevendo porque preciso dividir com alguém tamanha alegria que sinto e me lembrei de você. A letra está tremida porque estou repleta de emoção: meu menino voltou para casa!
Eu levei um susto quando abri a porta e o vi. Como cresceu, Conceição! Ele chegou como essas crianças mesmo que aprontam, sabe?, e ficam com medo de apanhar. Com carinha de pobre-coitado. Pediu logo desculpas e me deu um abraço longo e muito apertado. Sempre soube que ele voltaria. Disse que veio para ficar e nunca mais me abandonar. Eu até agora estou sem acreditar.
Às vezes acordo, penso que foi tudo um sonho. Vou ao quarto dele e o vejo dormindo como um anjo! Eu sabia que Deus estava me ouvindo. Mas, o danado se descobre todo quando dorme, Conceição, acredita? Comprei para ele um pijama de calça e mangas compridas, e quem disse que ele gosta? Qualquer dia acorda resfriado.
Voltei a cozinhar todos os dias, a fazer feira toda semana... Como o meu filhote come, Conceição! Dá até prazer de ver! Essa idade eles precisam mesmo se alimentar muito bem. A tarde ele vai se encontrar com alguns amigos que já fez por aqui pela vizinhança.Eliseu sempre foi de se enturmar fácil desde criança! Mas eu fico preocupada...a gente ouve cada coisa na televisão. Falei para ele trazer os amigos para cá, para eles ficarem jogando aqui, mas acho que eles se sentem meio constrangidos com a minha presença. De qualquer forma, ele nunca volta tarde, pois, sabe que eu só durmo quando ele chega. Como amadureceu meu Eliseu, Conceição.
É, minha amiga, peço a Deus para me dar muita saúde para eu poder cuidar do meu filho. Agora que ele está aqui, esses anos que se passaram, quantos foram, Ceição?, Deus fez parecer visto de agora que foram apenas alguns dias. Isso está me confundindo. Agora, falando com você, fiz as contas... Ele saiu de casa logo depois que a aquela atriz loira e também muito bonita morreu. Lembra dela, Conceição? Mérilin Monrou. Não sei escrever em inglês, amiga. Isso foi em 1962. Eliseu, coitado, estava perdido com aqueles hormônios da adolescência. Ele sentia vergonha pelo fato d’eu ser mãe-solteira naquela época, lembra? O coitadinho deve ter passado muito constrangimento por minha causa. Quando eu fugi de casa para morar com o Odilon tinha a idade dele também. Ô idade de todo mundo fugir de casa, Ceição! Eliseu nasceu em 45, dois anos depois d’eu ter saído pela janela da casa do papai. Odilon, aquele sem-vergonha, me abandonou em seguida, lembra, Ceição? Minhas mãos tinham feridas de tanto lavar as roupas das madames. Era o único serviço que conseguia fazer sem desgrudar os olhos do menino. Mas Eliseu sempre teve o que comer em casa. Graças a Deus. Não quero mais fazer contas não, Ceição! O importante é que ele voltou, bem no ano em que Maikon Jeckison morreu.
Eliseu é assim, Conceição, como eu sempre te disse, quase uma estrela...
Beijos
Bernadete
Beijos
Bernadete
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Aiuto! Hilfe! Help! Ayuda!Tassukete!!!!
Esse texto foi escrito em Abril deste ano. Estava começando a aprender italiano. Obviamente nada sabia com menos de um mês de curso mas percebi que quase todas as palavras tinham "tt" ou "pp" e outras sutilezas. Munida de tal observação comecei a brincar com meus amigos e tive uma surpresa interessante com a reação de cada um. Resolvi, então, contar para vocês:

Io tengo una storia para contare per voi qui parece in otra linccua ... ma qualoquê! Una storia squisitta pella manera qui è narratta aqüi ma que voi irono compreendere tutto!!!!
Tutto ha comenciatto quandi io ho entratto no corso de italiano in questo anno! Até questo giorno, io parlava bene portuguese e scrivia bene in nostra linccua, ma dopo das primas leziones algo straño mi ha aconteçatto! Un spiritto ha baixatto in me!!!! Io solo scrivo emeio allora para tutti mundi in otra linccua qui ni è italiano e ni portuguese! Las personnes pensono qui io sto metitta, qui voglio aparecere exibinto conhecimentto, qui scrivo di sacanagge perchè io sono una persona snob...questas cosas maleditas qui parlam por aí. Ma non percebono qui quasi tutti las paroles sono inventatta por una mente confusa i poco sabida.
O strano è qui cada uno mi risponde os emeios di una manera diferentte! Mia sorella Lydiane, medicologa di nostra famiglia, mi ha rispondatto in alemone! Io non entenditto niente do qui lei scrivatto! Mia mama (mia mama!!!! Qui nunca scrivere per me in portuguese!!!) mi ha rispondatto in italiano, ma un italiano bello qui parecia alemone o giapanesse perchè io non compreendi niente!!!! Mi fratello Tony foi lo únicco qui mi ha rispondatto in portuguese (???):
“- Ih ah lá! Caraca, show... Aí, se fez... Putz. Mandou. Pô, pirei! Cara, fui.”
Mi maritto (qui lavora embarcatto na plataforme di Petrobrás) ha pensatto qui io sto ficanto fera in un mês de corso, lui ficcou orgulhosso de mi, ha pensatto qui io sono molto inteligentte e mi risponde tutto los emaios in inglese para non ficare para trás. Otros amicos di mi cuore stono scrivendo in questa linccua (!) e há aquelles qui si calam per non entenderem qui cosa è questa. Alcunos non leem o emaio pensantto qui non vono intendere... Mia otra sorella stressatta Tatiana, qui io chiammo di Ta (dopo mi mandare à un lugare qui non vou parlare per voi), mi ha scrivatto in giapannese:
“Tadaima!!!!Asobimasho!!!!!!!!! Konnichi wa!!!! Ogenki dessu ka???????
Yoshi, watachi wa onee-chan desu. Sugoi!!!!!
Kyoo wa ii tenki desu ne??????
Yattaaaaaa!!!!!”
Yoshi, watachi wa onee-chan desu. Sugoi!!!!!
Kyoo wa ii tenki desu ne??????
Yattaaaaaa!!!!!”
Dio mio!!!! Io non entendi niente e ficquei preocupatta. Sue emaio tinha molto ponto de exclamazione e interrogacione! Ella stava con alcun problema i nencuno ha intendatto o qui era... Dopo de questo preocupantte emaio in giapanesse io screvi para Tatiana, Lili e tutta mia famiglia in portuguese-giapanese qui tutti loro intenderam i qui voi entenderono tambien:
"Kommi wa masho ka: Tony e Takimoto-san! Ten aki femea tã be : Elika, Lili, Tadaiana e mama!
Ôgenki! Y a Ta! Dessu santo na Tadaiana! Kyô tenki ki fassoro??? Santo sugô shipiritô di Tadaiana!!!!! Kura Tadaiana, Lili-san-medikura-di-kassa!
Pero amô de Buda!"
Ma dai! Mi mama qui stava a bebere succo cuspiu tutti dopo lire questo emaio, saiu succo até pelo su naso di tantto rire de nervoso con tutti seus figlios straños.
E allora para tutto voltare ao normale??? Mi caxa di emaio virou la Torre de Babele i io non consico screvire diretto i nem intento niente qui me screvono.
La mente de las personnes sono molto squisittas...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Limpando a Cabeça
Yuki, meu filho mais novo pegou piolho. Detectei a invasão assim que percebi que o pandeiro não estava sendo tocado no ritmo certo. Para aqueles que não sabem, Yuki nasceu assim, sambista. Toca instrumentos de percussão com ritmo antes dos dois anos de idade. A falta de uma batida harmoniosa não é sinal de imaturidade ou inexperiência e sim de que algo o atrapalha, neste caso, a estadia da espécie pediculus humanus que estava começando a fazer a festa ao som daquela batucada forçadamente irregular.
Coube a mãe do sambista fazer o serviço sujo, na verdade, o serviço de limpeza daquela cabecinha balançante. Optei por não passar os remédios típicos para a pediculose porque ele é muito novinho e eu estava com medo de uma intoxicação. Então, restou-me a operação pente fino.
Mamãe vai pegar os bichinhos que estão mordendo a cabeça do neném. Eu vou passar esse pente e eles ficam agarradinhos nele, vamos ver? Yuki me ouvia e olhava o pente nas minhas mãos assustado. Mas seus olhos tinham muita curiosidade também a ponto de me permitir passar o pente com tranquilidade. Na primeira passada, peguei um grande. Aqui, meu filho, esse é o papai dos outros. Vamos pegar os filhotinhos e arrumar uma nova casinha para eles? E saí catando com toda calma, vigiada pelo olhar atento da minha criança, os filhos e a esposa do bicho que estava num pedaço de papel higiênico esperando o resto da família. Para aumentar a minha dificuldade de continuar com aquela historinha sem graça, recém-inventada e sem a menor dose de criatividade, peguei mais três grandes e cinco pequenininhos. Na minha cabeça, ou melhor, na cabeça do Yuki, aquilo era uma infestação e o pior! eu tenho nojo de usar meus polegares para um serviço que faria jus ao apelido que receberam de tanto que seus ancestrais esmagaram esses insetos nojentos até ouvir um tec! Embrulhei bem todos eles, mas muito bem embrulhados mesmo, joguei no vaso e demos tchau para toda família que iria participar de uma longa viagem assim que apertasse a descarga. Na semana seguinte, repeti o processo mandando mais filhinhos para junto do papai, da mamãe, da dinda, do tio Geraldo e dos irmãos que estavam numa terra muito-muito distante.
Quando Marilene, minha manicure, chegou aqui em casa para fazer o meu serviço de manutenção preventiva semanal, eu contei para ela com cara de nojo toda a história. Ao ouvir que havia tirado nove piolhos da cabeça do Yuki, ela esboçou um sorriso contido, desses que se manifestam muito mais com o brilho dos olhos que aumenta de forma involuntária do que com o esticar dos lábios, as vezes, forçado.
Disse que quando as crianças pegavam piolho no morro não dava nem para contar quantos eram. Sabe um céu cheio de estrelas? Então, nossa toalha ficava assim. E eu que achava que havia presenciado uma infestação... estava até com vergonha de tocar no assunto com outras pessoas por parecer negligência, sujeira ou sei lá o que mais que me apontasse como uma pessoa pouco asseada. Como tudo muda dependendo do referencial! Sábias palavras de Copérnico! Mas a diferença não estava somente nos números...
De vez em quando a mãe e a tia de Marilene resolviam ocupar a cabeça delas com a cabeça da minha manicure. E começavam o serviço assim: vamos fazer uma blitz nesse morro aí! Era o sinal que ela teria sua extremidade superior do corpo vasculhada sem que isso significasse revelar algum segredo.
Sendo puxada pelos cabelos à quatro mãos, o serviço era iniciado e Marilene ouvia: Aí, tô na escolta! Era a voz da mão da mãe de Marilene para a mão da tia de Marilene. Vamos passar o rodo! Respondia uma das mãos. Eu vou é mandar para a vala um punhado hoje, irmão! Vamu começar a passar o cerol geral!!! Nessa hora os piolhos que tudo entendiam, na cabeça da Marilene, estavam alvoroçados, correndo para todos os lados... já pipocou cinco na minha mão, irmão! Só nesse começo!!! Aqui, peguei o chefe! Cadê o gerente? Cadê o gerente? Vai falar não, filho da pu ... TEC! Aqui um olheiro! Crente que ia avisar o gerente, né? Tem de ficar esperto que tá a maior sujeira, gritou um aviãozinho já entre dois polegares, avisando aos outros sobre o que estava rolando no asfalto, momentos antes de morrer. Tu avisou aos soldados filho da pu ...TEC! Tá cheio de samango na área, só de escolta, esperando algum mané dar bobeira! Se liga, irmão! Se der mole, toma um bote! Eram os piolhos gritando uns para os outros, na cabeça da Marilene.
Eu fiquei assustadíssima com essa história contada enquanto minhas unhas ganhavam cores. Mas chego à conclusão que tenho dado muitos ouvidos para psicólogos. Outro dia me falaram para não cantar atirei-o-pau-no-gato para meus filhos e me ensinaram uma versão não-atire-o-pau-no-gato para que eles não se tornassem devassos matadores cruéis de animais quando crescessem. Estava morrendo de pena da Marilene, um doce de pessoa, e também de todas as crianças piolhentas do morro. Você ficava assustada Marilene? Tinha pesadelos?
Marilene se mijava de rir.
___________________________________
Veja que interessante, não consegui postar o texto autêntico porque recebi a mensagem "Seu texto não pode ser publicado porque contém palavras não permitidas!" Nesse contexto, as expressões que podem parecer chulas, sem classe, e até agressivas... na realidade, são autênticas, sem recalques e que retrata o cotidiano nu e cru de algumas comunidades de uma forma bem divertida. A censura do blog pensa como eu pensava. Antes dessa conversa toda com a Marilene...
Coube a mãe do sambista fazer o serviço sujo, na verdade, o serviço de limpeza daquela cabecinha balançante. Optei por não passar os remédios típicos para a pediculose porque ele é muito novinho e eu estava com medo de uma intoxicação. Então, restou-me a operação pente fino.
Mamãe vai pegar os bichinhos que estão mordendo a cabeça do neném. Eu vou passar esse pente e eles ficam agarradinhos nele, vamos ver? Yuki me ouvia e olhava o pente nas minhas mãos assustado. Mas seus olhos tinham muita curiosidade também a ponto de me permitir passar o pente com tranquilidade. Na primeira passada, peguei um grande. Aqui, meu filho, esse é o papai dos outros. Vamos pegar os filhotinhos e arrumar uma nova casinha para eles? E saí catando com toda calma, vigiada pelo olhar atento da minha criança, os filhos e a esposa do bicho que estava num pedaço de papel higiênico esperando o resto da família. Para aumentar a minha dificuldade de continuar com aquela historinha sem graça, recém-inventada e sem a menor dose de criatividade, peguei mais três grandes e cinco pequenininhos. Na minha cabeça, ou melhor, na cabeça do Yuki, aquilo era uma infestação e o pior! eu tenho nojo de usar meus polegares para um serviço que faria jus ao apelido que receberam de tanto que seus ancestrais esmagaram esses insetos nojentos até ouvir um tec! Embrulhei bem todos eles, mas muito bem embrulhados mesmo, joguei no vaso e demos tchau para toda família que iria participar de uma longa viagem assim que apertasse a descarga. Na semana seguinte, repeti o processo mandando mais filhinhos para junto do papai, da mamãe, da dinda, do tio Geraldo e dos irmãos que estavam numa terra muito-muito distante.
Quando Marilene, minha manicure, chegou aqui em casa para fazer o meu serviço de manutenção preventiva semanal, eu contei para ela com cara de nojo toda a história. Ao ouvir que havia tirado nove piolhos da cabeça do Yuki, ela esboçou um sorriso contido, desses que se manifestam muito mais com o brilho dos olhos que aumenta de forma involuntária do que com o esticar dos lábios, as vezes, forçado.
Disse que quando as crianças pegavam piolho no morro não dava nem para contar quantos eram. Sabe um céu cheio de estrelas? Então, nossa toalha ficava assim. E eu que achava que havia presenciado uma infestação... estava até com vergonha de tocar no assunto com outras pessoas por parecer negligência, sujeira ou sei lá o que mais que me apontasse como uma pessoa pouco asseada. Como tudo muda dependendo do referencial! Sábias palavras de Copérnico! Mas a diferença não estava somente nos números...
De vez em quando a mãe e a tia de Marilene resolviam ocupar a cabeça delas com a cabeça da minha manicure. E começavam o serviço assim: vamos fazer uma blitz nesse morro aí! Era o sinal que ela teria sua extremidade superior do corpo vasculhada sem que isso significasse revelar algum segredo.
Sendo puxada pelos cabelos à quatro mãos, o serviço era iniciado e Marilene ouvia: Aí, tô na escolta! Era a voz da mão da mãe de Marilene para a mão da tia de Marilene. Vamos passar o rodo! Respondia uma das mãos. Eu vou é mandar para a vala um punhado hoje, irmão! Vamu começar a passar o cerol geral!!! Nessa hora os piolhos que tudo entendiam, na cabeça da Marilene, estavam alvoroçados, correndo para todos os lados... já pipocou cinco na minha mão, irmão! Só nesse começo!!! Aqui, peguei o chefe! Cadê o gerente? Cadê o gerente? Vai falar não, filho da pu ... TEC! Aqui um olheiro! Crente que ia avisar o gerente, né? Tem de ficar esperto que tá a maior sujeira, gritou um aviãozinho já entre dois polegares, avisando aos outros sobre o que estava rolando no asfalto, momentos antes de morrer. Tu avisou aos soldados filho da pu ...TEC! Tá cheio de samango na área, só de escolta, esperando algum mané dar bobeira! Se liga, irmão! Se der mole, toma um bote! Eram os piolhos gritando uns para os outros, na cabeça da Marilene.
Eu fiquei assustadíssima com essa história contada enquanto minhas unhas ganhavam cores. Mas chego à conclusão que tenho dado muitos ouvidos para psicólogos. Outro dia me falaram para não cantar atirei-o-pau-no-gato para meus filhos e me ensinaram uma versão não-atire-o-pau-no-gato para que eles não se tornassem devassos matadores cruéis de animais quando crescessem. Estava morrendo de pena da Marilene, um doce de pessoa, e também de todas as crianças piolhentas do morro. Você ficava assustada Marilene? Tinha pesadelos?
Marilene se mijava de rir.
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Veja que interessante, não consegui postar o texto autêntico porque recebi a mensagem "Seu texto não pode ser publicado porque contém palavras não permitidas!" Nesse contexto, as expressões que podem parecer chulas, sem classe, e até agressivas... na realidade, são autênticas, sem recalques e que retrata o cotidiano nu e cru de algumas comunidades de uma forma bem divertida. A censura do blog pensa como eu pensava. Antes dessa conversa toda com a Marilene...
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