Final do ano se aproxima. Eis que chega Dezembro, o calor infernal carioca e as decorações de Natal que ano a ano destoam cada vez mais do nosso clima. O excesso de vermelho, justamente nessa época, é um desafio à minha enxaqueca. Diante da imagem de Papai Noel que a toda hora aparece na minha frente seja lá onde eu esteja, acabei sem querer refletindo no meio de um baita engarrafamento na Praça da Bandeira se, por um acaso, ele, o Papai Noel, existisse me visitaria na noite de Natal. Para tanto e por falta do que fazer, ao som de buzinas e apitos de guardas de trânsito, realizei a minha própria retrospectiva 2010:
Consegui terminar o meu curso de italiano que nem Deus sabia se o finalizaria. Ingressei oficialmente no doutorado. Quase não fiz exercícios físicos. Dirigi no limite da velocidade mas avancei muitos sinais. Passei a emprestar meus livros somente mediante uma garantia de que eles seriam devolvidos. Comecei a pintar o cabelo e não contei a ninguém. Decidi fazer terapia. Fui usuária da ração humana por um mês e meio. Menti para os meus alunos dizendo que a prova estava muito difícil. Usei vírgulas indevidamente. Conheci o CERN e a terra de Jorge Luis Borges. Esnobei. Comprei poucas roupas, um Cuco para meus pais de presente, nenhum CD e vinte e sete livros. Li menos da metade, mas detonei em uma semana todos do “Pequeno Nicolau”. Quase não comi fruta. Não fui a Minas ver meus tios e nem a nenhum médico. Experimentei acarajé e a solidão no farol da Barra. Meu filho mais velho foi morar com o pai e eu não chorei. Vi as quatro temporadas do Prison Break direto. Não subestimei e nem idolatrei ninguém além de mim mesma. Entrei no facebook. Engordei 3 quilos. Quase não falei palavrão, mas xinguei a minha sogra. Xinguei uma nora também. Meu cunhado. E mais um punhado de gente que me tirou do sério. Votei na Dilma.Entrei nas aulas de conversação em inglês. Fiz barulho de metralhadora quando vi na televisão os traficantes fugindo da Vila Cruzeiro e entrando no Complexo do Alemão.
A grande questão que me coloquei já na altura do Maracanã é o que ainda daria tempo de se fazer antes da chegada do Natal para que o bom velhinho não só aparecesse como também me entupisse de presentes legais. Ele não virá, eu sei e não me importo. Eu procuro me perdoar diariamente e isso é o que basta. Queria apenas arejar a biografia e deixar vazar alguns pensamentos nada abençoáveis. Mas pelo sim, pelo não e pela incoerência que me persegue, andei chupando manga, comecei ontem a tomar caralluma (um redutor de peso que vai me deixar com o corpo da Gisele Bundchen em menos de dez dias), marquei uma consulta médica, estou lendo Schelling e vou a Minas semana que vem.
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Gostaria de saber dos amigos, o que eles fariam para ganhar presentes na noite de Natal. Vejam bem, não se trata de promessas para o ano que vem e sim para o que dá para ser feito antes deste acabar! Mais alguém quer ficar nu?
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Gostaria de saber dos amigos, o que eles fariam para ganhar presentes na noite de Natal. Vejam bem, não se trata de promessas para o ano que vem e sim para o que dá para ser feito antes deste acabar! Mais alguém quer ficar nu?









