sábado, 5 de fevereiro de 2011

“A minha nuvem vai para a mamãe”



É...parece que o ano começou. A novidade-2011 aqui de casa é o Yuki, meu caçulinha de quatro anos, indo à escola.  O evento-primeiro-dia-na-escolinha foi devidamente registrado por mim que o levou, junto com toda a família, munida de óculos de sol (porque estava muito sol e não porque eu ia chorar sabendo que falta pouco agora para eu ter três filhos formados), de máquina fotográfica e de sacolas com quinze toneladas de artigos de papelaria.

Antes de levarmos as crianças à instituição de ensino que escolhemos com o maior cuidado temos que comprar tudo que está na tal lista de material e no primeiro dia de aula entregar à  tia Rose,  a coordenadora pedagógica, não sem antes etiquetar cada item desde mochila até escova de dentes com o nome e a turma da sua cria: Yuki, Pré I, no meu caso. Esse foi um momento delicado e não me lembro de ter me sentido assim e de ter refletido tanto sobre o que é a vida ao etiquetar saboneteiras, copinhos e uma pasta polionda comprados com tanta inquietação na alma como descreverei a seguir.  Meus olhos chegaram a ter um brilho mais úmido. Todos os filhos estudando agora. Muito emocionante isso! Quer dizer, será que Hideo, meu filho adolescente, vai estudar alguma coisa esse ano?!? 

Voltemos ao foco.

A compra do material de uma criança na pré-escola é uma aprovação espiritual se é que isso existe mesmo. Sou professora de física, faço doutorado em filosofia, desenho, pinto e bordo, mas tive que controlar a respiração diante alguns itens como 80 folhas de sulfite A3 (o vendedor poderia me dar até um pedaço de tecido e dizer que isso era sulfite e eu não tinha conhecimento para contestá-lo! 80! Por que não 100?), 01 metro de papel nacarado (sei o que é cartolina e papel crepom, papel NACARADO??? Esse radical “naca” é de quê?), 01 caixa de lápis de cor gigante (gigante? Mas ele é tão pequenininho??? Quão gigante será isso? Será que a mochila que comprei foi muito pequena???), 1 pacote de papel Romitec (Outro papel esquisito??? Deve ser algo moderno porque o sufixo TEC significa altas tecnologias...), pincel chato n° 22 (O vendedor me disse que só tinha o número 20 e eu quase morri porque era um dos últimos itens. Só fiquei imaginando Yukinho não conseguindo fazer um movimento sinuoso na papel color sete (só pode ser nesse papel que eles vão pintar porque o prefixo color quer dizer “vamos colorir aqui”) e todos os amiguinhos rindo dele... eu vou ao inferno, mas meu filho vai ter um pincel número 22!!!), 04 grampos trilho  (Grampo? Como assim grampo???) e 01 pasta polionda verde de 2 cm com alça (caramba...essa foi a pior porque nenhuma loja tinha mais essa de 2 cm, só de 4 cm. Isso deve fazer uma diferença enorme já que essa pasta tem ondas a beça e meu filho será o único com uma pasta com o número de ondas multiplicada por dois. Dependendo do tamanho dessas ondas...o problema é que já estava no inferno e mesmo lá não havia mais a  pasta de 2 cm!!!). Mas, por fim, todos os itens da lista riscados com uma caneta acrilex preta.

E quando eu pensei que já havia feito reflexões suficientes até o momento de  entregar meu filhote nas mãos da tia Marina, eis que chega a hora de buscá-lo. Na mochilinha hot-wheels encontrei o primeiro trabalho feito com a caixa de tubos de cola coloridas 40 ml sem glitter. Ao lado, escrito com a caligrafia da tia, estavam as palavras ditas por ele assim que terminou  a obra. Cá estou eu nas nuvens com o espírito devidamente elevado a um outro patamar e desfrutando dessa sensação boa de entrar numa catedral que eu mesma construí. 


domingo, 23 de janeiro de 2011

Nara no Lápis Aquarelável


As cores...muito complicado lidar com elas, com o pincel... nem se fala!O desenho é grande e eu me atrapalhei. Não consegui corrigir meus erros porque isso não é grafite.  Nem de longe será o meu preferido. Não vai para o quadro porque não merece, mas resolvi mostrar já que sou uma exibida e desavergonhada.

Bem, essa é a Nara interpretando a fada "Semente de Mostarda" na peça Sonhos de uma Noite de Verão de Shakespeare. A momento foi ímpar e consegui eternizá-lo mum clique.

Agora, seguem os três que eu fiz. E ninguém pode dizer que ficou mal feito.

:-)


Inté a próxima!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Hideo no grafite 6B



Esse desenho foi feito em Miguel Pereira com o apoio moral do Nelson e dos meus amigos. Não está do meu agrado. Errei um bocado e não consegui consertar mais. Marcas de dedos por todos os lados. Minha mãe gostou e Hideo me deu um beijo carinhoso. Então, valeu. 

Mais desenhos:


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Por que não enfeita?

Vira e mexe eu solto essa pergunta por aí. Para entendê-la e usá-la como eu é preciso saber em que contexto ela foi espontaneamente mencionada pela primeira vez.

Eu devia ter uns doze anos, talvez treze, quem sabe mais?, quando fui visitar uns tios e primos  em Itajubá, terra natal de Dona Ruth, a senhora minha mãe. Vovô e vovó estavam lá firmes e fortes e raro era um final de semana em que não aparecíamos para vê-los. Só de filho parido vovó teve dezesseis sem contar os que foram se chegando trazidos pelos ventos e pelas mãos de um destino que teima em ser bondoso. Todos muito cristãos cresceram e se multiplicaram uns por sete, outros por quatro, nenhum por dois. Tenho mais primos do que sapatos! Essa história é sobre um deles: o Leonardo. Numa dessas viagens até Minas, lá pelos idos de 1980, ouvi minha tia Neusa nervosa de vergonha  contando essa história para mamãe que acabara de chegar.

Meu priminho de cinco anos (na época priminho... hoje: pai de família, dentista cheio de posses e morador  da Bahia) foi visitar uma amiga da minha tia Neusa. A visita foi rápida mas não o suficiente para livrar a tia de uma saia-justa. Leonardo ficou encafifado com três borboletas azuis de plástico  de tamanhos diferentes colocadas diagonalmente na parede ao lado da porta da sala sendo a menor borboleta a última  daquela fila e a maior, a primeira. As senhoras até acharam graça do menino olhando fixamente o adereço.

- Pra quê que serve isso?- perguntou o menino sem tirar os olhos do adorno.

- Para enfeitar, meu filho.- Respondeu minha tia pacientemente. As duas amigas riram da doce curiosidade  da criança.

- Então...por que não enfeita???

De repente, do riso fez-se o pranto, da calma fez-se o vento e do amigo próximo o distante. Minha tia disse que nunca mais teria cara para voltar lá na casa da amiga que sorriu só com a boca após a pergunta infeliz do mal-educado do Leonardo!

Bom, a história foi essa e até hoje quando vejo algo como as borboletas que não conseguem cumprir o seu destino refaço a pergunta desconcertante ou em voz alta ou em pensamento mesmo. Esse post será sempre atualizado a partir de hoje e gostaria de receber contribuições de quem quiser me ajudar nessa empreitada. Para compartilhar os meus momentos “Por que não enfeita?” andei tirando algumas fotos, salvando outras quando via por esse i-mundo e agora as coloco no blog.

Então...por que não enfeita???




Desfile de moda...nunca entendi isso...

Coisa mar linda esse jogo de copos!

POR QUE NÃO ENFEITA???
"Por que não enfeita?" não está ligado à uma classe social. Pessoas de posses são mestres nessa arte.





No mesmo condomínio três (TRÊS!!!) cristos!

Nem se estivesse com a camisa do Flamengo enfeitaria!
"Obra de Arte" na frente da UERJ (2011). Por que??? Por que é arte????

domingo, 19 de dezembro de 2010

Natal na minha cozinha!

Ah não! Acredita que esses ovos estão na maior animação para o Natal? Não, né? Por isso eu fotografo. Para ninguém falar que estou mentindo...

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 Que a animação dos meus ovos esteja presente na noite de Natal de todos vocês!

Dá até pena de fazer rabanada... 

sábado, 18 de dezembro de 2010

Os Ovos e a História da Física

Caramba!!!! Sabem quem está lendo o meu livro e está adorando? Se eu contar ninguém acredita! Por isso resolvi fotografar!




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sábado, 11 de dezembro de 2010

Ying-Yang-Yuki-Nara

crianças quinta na praçaHoje não teve jeito. Eu tento evitar, procuro passar longe, manter uma certa distância, mas hoje não teve jeito mesmo. Tive que ir ao shopping em pleno mês de Dezembro! E ainda com Nara e Yuki! Era para ser algo bem rápido mesmo, tipo vapt-vupt, entrar e sair, ping- pong, ying-yang, fuivoltei. Nara precisava de um biquíni para ir ao Rio Water Planet amanhã comemorar os treze anos da melhor amiga. Era só isso. Um biquíni.

Coloquei Yuki rapidinho num parquinho fechado cheio de monitoras que andam descalças num chão acolchoado e colorido e saí correndo com a Nara para escolher a roupa de mergulho, pirueta e escorregadas radicais. Peguei o Yuki uma hora e meia depois (!) e ele fez o maior escândalo para sair daquele bem-bom. Parece criança esse meu filho caçula. Muito imaturo. Não entende a finitude da minha paciência e da minha conta bancária. Yuki, o dinheiro da mamãe acabou. A-ca-bou! Vamos embora correndo senão a mulher vai chamar o moço que vai expulsar a gente daqui! Gastei meu latim à toa, de nada adiantou uma explicação super clara e detalhada sobre o funcionamento do mundo. Comecei a tirar meus sapatos bufando para correr atrás dele e pegá-lo à força quando a Nara se meteu e gritou de onde estávamos mesmo que eles iam tomar o maior sorvetão do mundo se eles saíssem dali naquele exato instante. Sorvete? Mané, que sorvete? Nara, tá maluca? Temos que vol... pronto. Yuki já estava ao meu lado calçando os chinelos todo animado. Ele e mais um punhado de crianças que, bem feito, tinham que ficar lá mais um tempão brincando.

O sorvete não estava no script, assim como tanto tempo no parquinho também não e nem a quantidade de biquínis experimentados. Mas tudo bem, Nara vai arrasar amanhã e eu já estava mesmo precisando naquela altura de um sundae duplo.

Indo a caminho do estacionamento depois de nos entupirmos de tanto sorvete, quem a gente viu? Quem estava lá no shopping? Quem? Bem sentadão dando tchau. Quem? Ele mesmo. Papai Noel. Perguntei ao Yuki se ele queria falar com o bom velhinho. Assim, depois de pegarmos uma filinha básica e de ver muitas crianças mega assustadas sendo forçadas pelos pais sem a menor noção de psicologia, a se aproximar mais, a sorrir, e até a sentar no colo do coitado do homem já todo suado, chegou a vez do meu filho.

Yuki se aproximou timidamente. Eu toda cheia de cuidado e com todo jeitinho fui puxando a mãozinha dele em direção ao Papai Noel (!!! Papai Noel!!!!). Conforme o homem rechonchudo começou a fazer perguntinhas, Yuki foi se soltando.

Qual o seu nome? Qual o seu time? Quer ganhar o que de Papai Noel?

Depois dessa última pergunta então... ele até soltou a minha mão para explicar com gestos tudo o que ele queria. Um helicótupelú que faz ttatatatataaa, um carrão bem glandão de contlole remoto, um avião que voa láááááá longe e mais um caminhão que carrega carros, e mais...e mais....e mais...

Papai Noel, todo fofo e politicamente correto, perguntou se ele havia obedecido mamãe. Yuki me olhou assustadaço, e disse baixinho para ele que havia ficado de castigo uma vez, mas que pediu desculpas e ficou bem bonzinho depois. E foi chegado o momento da despedida. Papai Noel pediu um beijo e um abraço bem forte, Yuki deu tudo o que Papai Noel pediu e Papai Noel, todo simpático, deu para o Yuki um pirulito no final. Tudo muito legal. Mas, outra coisa fora do script do dia: Yuki olhou para o pirulito, para o Papai Noel, para o pirulito...nessa hora, eu pressentindo o que não se passava naquela cabecinha, segurei a mãozinha dele e comecei a tirá-lo de perto do seu barba-branca-me-poupe!, mas Yuki botou pé firme, começou a fazer biquinho, depois abriu o berreiro e desembestou a reclamar reclamar reclamar. Pu quê? Pu quê? Pu quê só um pilulito pla mim? Pu quê??? Eu num ti disse que pedi desculpa?

Até ele se acalmar para eu conseguir explicar que hoje era só o dia de anotar os pedidos, que Papai Noel virá à nossa casa na noite de Natal, que o pirulito não era presente, era só um negocinho sem significado nenhum que Papai Noel dava para todo mundo seja bom ou ruim nessa vida, tenha pedido desculpas ou não pra mamãe...olha, foi brabo. As crianças na fila estavam num misto de ansiedade e pânico vendo o escândalo do Yuki que apontava com a mão esquerda o pirulito que segurava com a direita e que revezava o olhar úmido entre o doce e alma do Papai Noel.

Eu já estava a ponto de contar toda a verdade para o Yuki que seguia inconformado. As duendes empurrando a gente para sair da frente do Papai Noel, o diabo do homem já chamando outra criança sem ainda resolver a crise do meu filho, a minha paciência já no beleléu, meu coração batendo tresloucadamente ... peguei o pirulito da mão do Yuki, apontei para o Papai Noel e antes que eu falasse uma poucas e boas para ele, a Nara gritou de longe. Yuki, vamos ver os carros no kart! Que kart, mané, kart? Nara, a gente tá in... Yuki saiu correndo animado e fomos ver (rapidinho, viu?) qual era daqueles carrinhos barulhentos.

Finalmente, depois de sei lá quantas horas dentro de um shopping, as crianças cansaram de tudo aquilo e pude voltar para a casa sem precisar prometer nada além da casa mesmo.

(Leve, estranhamente leve depois dessa tarde, sentei aqui na biblioteca e comecei a fazer um trabalho do curso de filosofia. Porém, mesmo diante de grandes questões sobre a existência há nesse instante uma só pergunta que me paralisa. O que eu faço agora com o pirulito que está na minha bolsa?)



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Gostou? Então quem sabe goste desses também?

Sinal Verde
Dividindo pra poder sobrar