quinta-feira, 24 de março de 2011

Confissões de uma Ignorante



Estou um pouco cansada. Por onde ando sinto-me humilhada pela cultura de amigos, de inimigos, de alunos, de conhecidos e até de gente que acabei de ser apresentada. Não falo somente da cultura apreendida nas universidades e em escolas, mas também da cultura assimilada nos botequins, nas academias, nos shoppings e na Bahia. Quem está ao meu lado sempre leu mais livros do que eu, é filiado a algum partido político, cita com precisão frases de filósofos, estudou mais do que eu, sabe mais física do que eu, pratica mais esportes do que eu, foi a mais congressos do que eu, vai mais a médicos do que eu, sabe mais línguas do que eu, falam melhor do que eu, conhecem mais teatro e música do que eu e sempre bebem mais do que eu. 

Basta eu colocar os pés na rua para certificar-me da minha pequenez. Você já leu Kenzaburo? Não? Como não? Você é filha de japonês e não conhece Kenzaburo? Chego a casa correndo, com pressa em ver-me livre de tanta ignorância, entro no site do submarino, compro o livro de Kenzaburo, leio Kenzaburo e vou para a rua de cabeça erguida. A alegria acaba ao me deparar com a primeira pessoa que estabeleço um diálogo. Já usou os cremes da Victoria Secrets? Victoria Secrets? Hã?!? O que é isso, só conheço nívea, johnson e os ácidos retinoicos que a dermatologista prescreve. Você é de marte? Como uma mulher pode não saber o que são os cremes da Victoria Secrets? Lá vou eu correndo, compro os cremes, na verdade, ganho os cremes, passo os cremes, volto às ruas me sentindo uma mulher mais completa e o que ouço? Além de tooodos me perguntando se estou usando Victoria Secrets (como todos conheciam o cheiro menos eu?) ainda apontam um prédio, assim do nada com a maior naturalidade, e falam que aquele desenho lembra Fernand Léger. Quem é esse? Não sabe? Como não sabe quem é Fernand Léger? O grande artista francês especialista em cubismo! Nem vou perguntar o que é cubismo, tenho lá minha ideias sobre uns quadros sem pé nem cabeça, ou com um pé e uma cabeça no meio do quadro, mas é melhor ficar calada. Deve ser isso. Deixa quieto. Quando o assunto é cinema sempre acho que vou arrasar, mas não tarda em chegar um daqueles que ficam classificando filmes pela direção e de diretor eu só conheço o Scorsese e o Spielberg. Também sei quem foi Copola e só! O cara me pergunta se eu já vi filmes do Kubrick. Quem? Stanley Kubrick, não conhece? Jesuis. Não.

De esportes ignoro absolutamente tudo. Por mais que meus pais me expliquem não sei contar os pontos de vôlei e não vejo sentido naquelas pontuações do tênis. Por que não um a zero, dois a três? Que diabos é isso de acertar uma bolinha e ganhar 15 pontos? Depois 30 e depois 40!!!! Não. Desisto. Nas raras vezes em que assisto uma partida de futebol me assusto cada hora que um menino cai. Todos gritam: não foi nada! Não foi nada! E aí vem o slow motion. Nem em câmera lenta eu consigo perceber que o jogador de verde caiu de propósito. Velejar? Eu sei toda a parte teórica porque tem a ver com soma de vetores e coisa e tal e disso eu entendo um pouco, mas me distraio contemplando as velas e esqueço sempre o que é uma bolina. O que é uma bolina? Essa é uma pergunta metafísica que ao ser feita resulta sempre em deslocar o centro de massa do barco e cair no mar. Resultado: sempre vou na direção que o vento sopra e tenho medo de navegar sem companhia.

Estive em Buenos Aires, no Caribe e na Suíça, mas não sabia ao certo onde estava. Nunca soube quem estava fazendo fronteiras comigo e ficava boquiaberta quando via alguém correndo animado para tirar fotos com a estátua de Rousseau ou algum monumento histórico que eu até então desconhecia a existência. Que legal! Uma igreja ortodoxa russa! Meodeos. Como sabem tanto? De história nem sei quais foram os quatro gigantes da Reforma e nem adianta me falar que esquecerei em menos de dois dias!

De bebida eu nada entendo. Não sei o nome de vinhos mais triviais e nem vamos falar da diferença de paladar entre um que custa os olhos da cara e um baratérrimo. Meu organismo carece de uma enzima que metaboliza o álcool e, portanto, não bebo. Quando insisto, desmaio. Pronto. Justificado. Mas comer eu como e como bem e de tudo, embora isso não seja coisa para se vangloriar e muito menos cultura que é o tema em pauta. Para dizer a verdade até passei vergonha ao tentar esnobar um pouco. Estive em Salvador e voltei batendo no peito dizendo que comi um sarapatel delicioso. Crente que estava fazendo bonito quando percebi que todos que me ouviam faziam cara de nojo. Sabe do que é feito o sarapatel, Elika? Alguém sabe? Como todos vocês sabem disso e eu não?

Além de tudo, sou uma leitora completamente devassa. Não posso ler nenhum filósofo e nenhum político. Sou facilmente convencida. Seduzem-me sem a menor resistência. Tenho orgasmos múltiplos sem perceber que estou sendo estuprada. Mas o meu amor não é inabalável. Ao abrir outro livro, lá vou eu de novo sem ao menos me sentir confusa para os braços de um outro bambambã qualquer.

Ando preenchida de indagações, angústias e incertezas, mas não sou infeliz por conta disso. Não transformo essa minha “ignorância” em depressão, mas em força, curiosidade e criatividade. Sobrevivo porque sou como os historiadores. Só explico depois do acontecido e escolho as causas para todos esses efeitos desastrosos. O problema é que, às vezes, eu fraquejo e fico assim. Como hoje. Cansada por ser tão inofensiva.





sexta-feira, 11 de março de 2011

OX no Pastel Oleoso.


Eu estava querendo desenhar o Ox, esse boxer de espírito elevado, há muito tempo.

Ganhei de presente da minha amiga Deise uma caixa de pastel. Eu nunca havia brincado com esse tipo de coisa, mas aceitei de bom grado o presente e o desafio.  Quando fui me preparar para começar a rabiscar me certifiquei que não havia pastel naquela caixa com a cor do Ox. Fui correndo até a Casa Cruz e perguntei para moça. Tem pastel? E ela disse tem, ali.  Ao chegar ali, deparei-me com uma prateleira gigantesca de pastel e meus olhos pararam numa caixa enoooooorrrrme, linda, com todas as cores das mais variadas matizes. Pastel oleoso, dizia a caixa. É pastel, pensei. Foi isso que vim comprar. Paguei uma fortuna e vim-me embora feliz e ansiosa.

Chegando a casa porque quem chega, chega a algum lugar, consultei o gúgol para aprender algumas técnicas de como me divertir com aquilo. Descobri que havia pago uma fortuna numa caixa de giz de cera! Pastel oleoso = giz de cera!!! Assim como: porto de Lúcifer = inferno, passou os cinco dedos = roubou e virou estrelinha = bateu as botas.  Caramba,  como sou desprovida de inteligência (=burrona)!

Bom, já que comprei... e, assim ficou o Ox no giz de cera pastel oleoso.

Para ampliar clique em cima do desenho

Minha mãe e meu pai acharam bonito e eu me diverti a vera.

Beijos e até a próxima!
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Para ver mais dos meus rabiscos:




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quando a Imaginação é Mais Importante que o Conhecimento


Quando se convive com uma pessoa durante muito tempo conseguimos às vezes saber exatamente o que se passa na cabeça do indivíduo que tanto nos acompanha; outras vezes não fazemos nem ideia e, como estamos falando de dois seres, essas situações podem acontecer simultaneamente. Foi exatamente isso o que ocorreu entre mim e meu excelentíssimo marido há um mês atrás.

Estávamos na casa de minha sogra em Mangaratiba nos preparando para dormir. Eu não gosto muito de passar a noite lá porque a casa fica perto de muito mato, colada  numa reserva da mata atlântica e onde tem mato tem muitos bichos esquisitos com asas que ao entardecer cismam em nos visitar.  Mas no dia seguinte partiríamos para Ilha Grande com as crianças e a barca sai dali pertinho. Eu estava no quarto com Yuki e Nara que já estavam ressonando. Cômodo fresquinho. Ar condicionado no máximo. Eu estava calma. Serena. Deitada. Com o livro de Zélia Gattai nas mãos. De repente, Nelson coloca só a cabeça para dentro e com os olhos esbugalhados fala:

- Não abre esta porta por nada nesse mundo! – E a fechou em seguida me deixando só de novo com as crianças naquele compartimento gelado.

Levantei-me jogando a Zélia pro alto e abri a porta sem demora. Mantive as pernas bambas dentro do quarto e usei somente o rosto para me certificar do que estava acontecendo lá fora.

- Eu não falei para você não abrir? - Rugiu Nelson ainda com os olhos saltando das órbitas ao me ver com a cara assustada no corredor. Empurrou meu rosto para dentro e fechou inutilmente a porta mais uma vez.

Coloquei a boca numa abertura segura de três centímetros.

- O que está havendo? – E imediatamente posicionei minha pupila na brecha agora de meio centímetro. Nelson se aproximava nervoso.

- Me obedece, mulher! Fecha essa porta! – Bramiu rabioso com a minha indisciplina fantasiando uma esposa menos curiosa e mais obediente.

 Pela fresta eu vi, com a metade de um olho, Nelson com uma vassoura na mão.

- É bicho? – Perguntei com a voz embargada.

Nelson devia estar querendo me proteger e com receio de que eu desmaiasse, acordasse os vizinhos ou tivesse um piripaque devido a minha insectofobia crônica agia daquela forma bronca. Se ele respondesse sim, é bicho, eu teria fechado a porta e trancado com chave. Na hora! Mas não...surtou.

- É tudo! É tudo!!! Fecha a porta! – E mirou com um misto de ódio e pânico um ponto fixo na sala.

Do meu referencial não era possível ver o que ele estava focando sem piscar. Os nossos campos visuais sofriam a intersecção de uma quina de corredor. Também não era louca de sair dali. Já estava toda arrepiada só de pensar... mas, o que é tudo? Como assim tudo??? Essa resposta foi muito esquisita.

- É réptil? – Indaguei visualizando mentalmente uma perereca.

- É tudo! É tudo!!! Entra, mulher!!!! – Replicou sabendo que eu tenho o maior nervoso de anfíbios. Ele realmente estava muito preocupado em preservar a minha paz já inexistente com aquela resposta insana.

- É inseto? É um besourão??? – Interpelei ao me certificar com meu olho esquerdo grudado numa brechinha de nada  que ele estava com a vassoura numa mão e agora com um baigon preto na outra.

Mas por deus! Será que esse homem acredita que se ele não descrever claramente o que está vendo eu vou me acalmar?

- Fecha a pooooooorrrtaaaa! – Bramiu incisivo enquanto sumia por completo do meu campo visual.

Eu obedeci apavorada imaginando meu marido lutando com um bicho muito estranho. Ouvi um barulho seco. Era o som que a vassoura faz quando encontra o chão com muita velocidade e fúria. Mais barulhos de móveis caindo. Dei mais alguns segundos. A minha mão na maçaneta estava só esperando o sinal verde vindo de fora, porém, antes que ele fosse dado eu abri a porta e saí mais branca que ovo  bem cozido.

Nelson estava no banheiro dando descarga com cara de nojo. O bicho estava indo embora e eu fui correndo olhar a aberração. Quando mirei o fundo do vaso o nível da água já havia começado a subir.

- O que era, afinal? Um insetão? Um réptil? Mamífero?- Eu também tenho um pouco de medo de ratos. Nelson sabe disso. -Você está bem? – Preocupei-me ao ver a testa brilhosa de meu herói.

- Era tudo! Tudo!!! – disse balançando a cabeça como se dissesse não. – Vamos dormir. – Delirou.

Fui para o quarto. Esperei ele arrumar a bagunça na sala, tomar mais um banho e se deitar ao meu lado. Sabia que seria complicado obter um esclarecimento dos fatos. Nelson tem essa mania de achar que é melhor eu não saber das coisas para eu não sofrer. Ele acredita realmente que eu padecerei menos na escuridão.

Não poderia mostrar muita ansiedade. Em outras situações isso só piorou.

- Meu amor, se você não me falar o que é, eu vou imaginar o pior! – Disse com a voz mansa fazendo cafuné na cabeça rala de meu protetor que acabara de se deitar ao meu lado.

- Era o pior!!! O pior!!! - Replicou imperioso e sem se deixar seduzir pelos meus gestos.

- Caramba, homem! – Impacientei-me. - O que é um bicho que é tudo? Réptil, inseto e mamífero? – E continuei achando que havia falado todas as classes dos animais. - Caraca, Nelsu! Larga de ser chato! Se coloca no meu lugar! Eu não vou deixar você dormir enquanto eu ficar imaginando você lá fora lutando com um orangotango!

Perdi além da paciência o vocabulário e devo ter perdido também todas as aulas de ciências na vida. Nervosa eu sou assim. Raciocino menos do que quando estou fazendo jump. O ponto digno de nota é que muitas vezes meu marido sabe exatamente o que estou pensando e por conta disso, duas coisas acontecem: ele nem se dá mais conta das minhas gafes e fica fazendo esse tipo de coisa achando que é o melhor para mim. Afe.

Mas dessa vez, eu e meu tom de voz o convencemos a esclarecer o que de fato ocorrera ali fora.

- Tá bom. Tá bom, mas depois não reclama! – E sentou-se na cama olhando-me assustado. - Era uma barata desse tamanho! – Exclamou usando as duas mãos para que eu visualizasse o tamanho da criatura. – Satisfeita?

Não. Padeci à luz da verdade.  Não dormi visualizando aquele inseto caseiro ortóptero com as dimensões de um cachorro. Antes ele tivesse me contado como foi a briga com o ornitorrinco. Parece que nem me conhece...



sábado, 5 de fevereiro de 2011

“A minha nuvem vai para a mamãe”



É...parece que o ano começou. A novidade-2011 aqui de casa é o Yuki, meu caçulinha de quatro anos, indo à escola.  O evento-primeiro-dia-na-escolinha foi devidamente registrado por mim que o levou, junto com toda a família, munida de óculos de sol (porque estava muito sol e não porque eu ia chorar sabendo que falta pouco agora para eu ter três filhos formados), de máquina fotográfica e de sacolas com quinze toneladas de artigos de papelaria.

Antes de levarmos as crianças à instituição de ensino que escolhemos com o maior cuidado temos que comprar tudo que está na tal lista de material e no primeiro dia de aula entregar à  tia Rose,  a coordenadora pedagógica, não sem antes etiquetar cada item desde mochila até escova de dentes com o nome e a turma da sua cria: Yuki, Pré I, no meu caso. Esse foi um momento delicado e não me lembro de ter me sentido assim e de ter refletido tanto sobre o que é a vida ao etiquetar saboneteiras, copinhos e uma pasta polionda comprados com tanta inquietação na alma como descreverei a seguir.  Meus olhos chegaram a ter um brilho mais úmido. Todos os filhos estudando agora. Muito emocionante isso! Quer dizer, será que Hideo, meu filho adolescente, vai estudar alguma coisa esse ano?!? 

Voltemos ao foco.

A compra do material de uma criança na pré-escola é uma aprovação espiritual se é que isso existe mesmo. Sou professora de física, faço doutorado em filosofia, desenho, pinto e bordo, mas tive que controlar a respiração diante alguns itens como 80 folhas de sulfite A3 (o vendedor poderia me dar até um pedaço de tecido e dizer que isso era sulfite e eu não tinha conhecimento para contestá-lo! 80! Por que não 100?), 01 metro de papel nacarado (sei o que é cartolina e papel crepom, papel NACARADO??? Esse radical “naca” é de quê?), 01 caixa de lápis de cor gigante (gigante? Mas ele é tão pequenininho??? Quão gigante será isso? Será que a mochila que comprei foi muito pequena???), 1 pacote de papel Romitec (Outro papel esquisito??? Deve ser algo moderno porque o sufixo TEC significa altas tecnologias...), pincel chato n° 22 (O vendedor me disse que só tinha o número 20 e eu quase morri porque era um dos últimos itens. Só fiquei imaginando Yukinho não conseguindo fazer um movimento sinuoso na papel color sete (só pode ser nesse papel que eles vão pintar porque o prefixo color quer dizer “vamos colorir aqui”) e todos os amiguinhos rindo dele... eu vou ao inferno, mas meu filho vai ter um pincel número 22!!!), 04 grampos trilho  (Grampo? Como assim grampo???) e 01 pasta polionda verde de 2 cm com alça (caramba...essa foi a pior porque nenhuma loja tinha mais essa de 2 cm, só de 4 cm. Isso deve fazer uma diferença enorme já que essa pasta tem ondas a beça e meu filho será o único com uma pasta com o número de ondas multiplicada por dois. Dependendo do tamanho dessas ondas...o problema é que já estava no inferno e mesmo lá não havia mais a  pasta de 2 cm!!!). Mas, por fim, todos os itens da lista riscados com uma caneta acrilex preta.

E quando eu pensei que já havia feito reflexões suficientes até o momento de  entregar meu filhote nas mãos da tia Marina, eis que chega a hora de buscá-lo. Na mochilinha hot-wheels encontrei o primeiro trabalho feito com a caixa de tubos de cola coloridas 40 ml sem glitter. Ao lado, escrito com a caligrafia da tia, estavam as palavras ditas por ele assim que terminou  a obra. Cá estou eu nas nuvens com o espírito devidamente elevado a um outro patamar e desfrutando dessa sensação boa de entrar numa catedral que eu mesma construí. 


domingo, 23 de janeiro de 2011

Nara no Lápis Aquarelável


As cores...muito complicado lidar com elas, com o pincel... nem se fala!O desenho é grande e eu me atrapalhei. Não consegui corrigir meus erros porque isso não é grafite.  Nem de longe será o meu preferido. Não vai para o quadro porque não merece, mas resolvi mostrar já que sou uma exibida e desavergonhada.

Bem, essa é a Nara interpretando a fada "Semente de Mostarda" na peça Sonhos de uma Noite de Verão de Shakespeare. A momento foi ímpar e consegui eternizá-lo mum clique.

Agora, seguem os três que eu fiz. E ninguém pode dizer que ficou mal feito.

:-)


Inté a próxima!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Hideo no grafite 6B



Esse desenho foi feito em Miguel Pereira com o apoio moral do Nelson e dos meus amigos. Não está do meu agrado. Errei um bocado e não consegui consertar mais. Marcas de dedos por todos os lados. Minha mãe gostou e Hideo me deu um beijo carinhoso. Então, valeu. 

Mais desenhos:


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Por que não enfeita?

Vira e mexe eu solto essa pergunta por aí. Para entendê-la e usá-la como eu é preciso saber em que contexto ela foi espontaneamente mencionada pela primeira vez.

Eu devia ter uns doze anos, talvez treze, quem sabe mais?, quando fui visitar uns tios e primos  em Itajubá, terra natal de Dona Ruth, a senhora minha mãe. Vovô e vovó estavam lá firmes e fortes e raro era um final de semana em que não aparecíamos para vê-los. Só de filho parido vovó teve dezesseis sem contar os que foram se chegando trazidos pelos ventos e pelas mãos de um destino que teima em ser bondoso. Todos muito cristãos cresceram e se multiplicaram uns por sete, outros por quatro, nenhum por dois. Tenho mais primos do que sapatos! Essa história é sobre um deles: o Leonardo. Numa dessas viagens até Minas, lá pelos idos de 1980, ouvi minha tia Neusa nervosa de vergonha  contando essa história para mamãe que acabara de chegar.

Meu priminho de cinco anos (na época priminho... hoje: pai de família, dentista cheio de posses e morador  da Bahia) foi visitar uma amiga da minha tia Neusa. A visita foi rápida mas não o suficiente para livrar a tia de uma saia-justa. Leonardo ficou encafifado com três borboletas azuis de plástico  de tamanhos diferentes colocadas diagonalmente na parede ao lado da porta da sala sendo a menor borboleta a última  daquela fila e a maior, a primeira. As senhoras até acharam graça do menino olhando fixamente o adereço.

- Pra quê que serve isso?- perguntou o menino sem tirar os olhos do adorno.

- Para enfeitar, meu filho.- Respondeu minha tia pacientemente. As duas amigas riram da doce curiosidade  da criança.

- Então...por que não enfeita???

De repente, do riso fez-se o pranto, da calma fez-se o vento e do amigo próximo o distante. Minha tia disse que nunca mais teria cara para voltar lá na casa da amiga que sorriu só com a boca após a pergunta infeliz do mal-educado do Leonardo!

Bom, a história foi essa e até hoje quando vejo algo como as borboletas que não conseguem cumprir o seu destino refaço a pergunta desconcertante ou em voz alta ou em pensamento mesmo. Esse post será sempre atualizado a partir de hoje e gostaria de receber contribuições de quem quiser me ajudar nessa empreitada. Para compartilhar os meus momentos “Por que não enfeita?” andei tirando algumas fotos, salvando outras quando via por esse i-mundo e agora as coloco no blog.

Então...por que não enfeita???




Desfile de moda...nunca entendi isso...

Coisa mar linda esse jogo de copos!

POR QUE NÃO ENFEITA???
"Por que não enfeita?" não está ligado à uma classe social. Pessoas de posses são mestres nessa arte.





No mesmo condomínio três (TRÊS!!!) cristos!

Nem se estivesse com a camisa do Flamengo enfeitaria!
"Obra de Arte" na frente da UERJ (2011). Por que??? Por que é arte????